Emo, Hipster, Perua – Tem que rotular?

Toda geração tem uma tribo que sofre por ser ‘moderninha demais’. Nos tempos da sua mãe, os ‘hippies’ provavelmente recebiam torcidas de nariz por onde andavam, na sua adolescência era normal xingar um menino ou menina de ’emo’ porque preferia escutar hardcore a pagode ou forró, e hoje a história não foge muito do padrão. Quem procura se diferenciar do que a maioria está vestindo /ouvindo /assistindo / lendo leva o rótulo de Hipster – alcunha que já se se tornou pejorativa.

Mesmo que você ache que não se encaixa em nenhuma tribo urbana, com certeza pessoas de outras tribos vão dizer que você pertence à tribo dos sem tribo. Parece a época de escola, quando qualquer um consegue identificar só de olhar quem é gay enrustido, quem diz que é evangélico em casa mas na escola faz pose de porra-louca, quem tem dificuldade de se socializar, quem se faz de melhor amigo pra conseguir benefícios em troca e outros inúmeros atributos – mas parando pra pensar melhor, o que deveria realmente importar no contexto escolar é quem tira boas notas ou não, e isso as roupas não podem mostrar.

Patricinhas, maconheiros, viadinhos, esportistas, evangélicos, filhos de autoridades ou pessoas ricas da cidade, nerds, bolsistas, fofoqueiras e outros apelidos são realmente comuns pelos corredores e comentários feitos pelos adolescentes no ensino fundamental e no médio, mas tem gente bem grandinha que parece ainda não ter superado essa fase de encaixe social e acredita que assim como no colégio, é possível reconhecer quem é quem só pela roupa que a pessoa veste. 

Gente adulta é, no mínimo, 50 vezes mais complicada do que a gente imagina.

Tá certo que a moda pode dizer muito sobre o a personalidade de alguém, mas se você se ativer a essa análise superficial pra decidir com quem deve andar, vai acabar perdendo a chance de conhecer alguém substancialmente interessante e correndo risco de se aproximar muito de gente bem medíocre.

Estampa de oncinha ‘é coisa de perua, anel de caveiraé coisa de metaleiro’, camisa xadrez é coisa desertanejo‘, estampa com referência de seriado ou filmes ‘é coisa de ‘nerd’, gola V ‘é coisa de viado, esmalte vermelhoé coisa de quenga

Que mentalidade é essa? Você congelou no tempo?

Em tempos de discussões de liberdade nos direitos humanos e moda cada vez mais democrática, já está mais do que na hora de vermos as pessoas além da roupa, né? Essa preguiça de conhecer pessoas novas e se deixar surpreender, gerada pela praticidade e efemeridade crescente das informações que recebemos todos os dias é que acaba fazendo a gente se acostumar a não entender nada afundo, preferir o resumão de tudo, julgar algo ou alguém prático e útil em questão de segundos. Já parou pra pensar que independentemente de se encaixar em rótulos ou não, somos todos seres individuais e mudamos um pouco todo dia?

Então faça-se esse favor, pare e pense.

4 thoughts on “Emo, Hipster, Perua – Tem que rotular?

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