De Zara a Riachuelo: qual o grande segredo da glamourização do Fast Fashion no Brasil?

Maoleskine Fast Fashion

O burburinho causado pelas redes fast fashion no Brasil não é algo novo. Às vezes a notícia que gira é uma parceria pra criação de uma coleção cápsula com algum grande estilista, uma tendência propagada pelas blogueiras de look do dia, uma liquidação com preços muito convidativos, sem mencionar as formas de pagamento que cada vez permitem maior volume de compras de uma vez só.

Aqui em Manaus, recentemente foi aberta uma loja da rede Zara (marca que tem mais de 1600 lojas ao redor do mundo, e no histórico um processo judicial por manter funcionários subcontratados trabalhando em condições similares à escravidão – mais info), e em São Paulo há previsão de abertura de lojas H&M e GAP nos próximos meses – o que na perspectiva do consumidor significa mais opção de acesso à moda, mas nem sempre as coisas são tão fáceis como parecem ser. GAP inside Maoleskine

Além de estarmos num país onde os impostos são altíssimos e isso dificultar muito a inserção de multinacionais conhecidas por preços baixos, essas empresas sabem o quanto o brasileiro gasta com elas quando viaja. Há um interesse de manter o consumidor de classe média alta sustentando o lifestyle “não comprei aqui no Brasil” que propaga a marca e uma falsa sensação de status superior. Independente de valor, é de varejo que estamos falando, portanto a sensação de superioridade que algumas pessoas ostentam por usarem looks de lojas como Forever 21 é apenas o reflexo da visão de quem não tem noção de quanto custa/quanto vale uma peça de roupa.

Exemplo clássico disso: a febre Abercrombie & Fitch. Aquelas camisetas básicas com molde justo de repente se tornaram objeto de desejo, não pelo valor de estilo que elas agregam, mas porque todo mundo sabe que não tem loja no Brasil. O mesmo acontecia com Victoria’s Secret antes de ter seus hidratantes e colônias vendidas em qualquer bazar: ficou fácil, perdeu a graça. 

Toque de Neon Maoleskine

Na era do instagram, as blogueiras de moda exerceram (e ainda exercem) um papel fundamental na difusão de informação de moda. Contratadas pelas lojas ou não, postando combinações de peças de roupa encontradas em Fast Fashion, elas conseguiram tirar o rótulo de ‘roupa barata’ que assombrava essas lojas e atribuir relevância ao que é produzido em larga escala, mostrando que é possível montar um guarda-roupa atualizado sem gastar muito dinheiro. Assim como a Carol Heinrichs (uma das primeiras blogueiras de look do dia do Amazonas e definitivamente a mais relevante na cena), outras blogueiras de todo o Brasil ajudam a propagar a moda criada exatamente para ser misturada com criatividade e ser vista de uma forma mais real, além dos editoriais e publicidade (TV, outdoors, revistas…), seja num Hi-Lo, num acessório, uma bolsa pro dia-a-dia ou qualquer outra peça que imprima sua identidade, coma tal consciência de preço/valor.

Num mundo onde se fala tanto em sustentabilidade, mas se prega cada vez mais o consumo desenfreado das ditas tendências e a efemeridade da informação, fica fácil imaginar os motivos de tantos fashion victims serem aficionados por Fast Fashion e o formato ser um dos principais movimentadores do comércio mundial. Até então nada de errado em você gastar o seu dinheiro com o que você bem entender, agora só se der, faça-se o favor e procure se informar sobre o que a sua compra está alimentando. Além de estar sendo tapeado com o superfaturamento de um produto, você pode estar financiando a escravidão em pleno século XXI.

Clique na imagem abaixo para ver um dos meus vídeos favoritos sobre os preços das roupas ‘baratas’ que acabam saindo muito caro, uma conversa séria no programa Manhattan Connection

“Não seja consumido pela moda.”

Para saber mais: presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, comenta sobre a visão da empresa sobre a concorrência internacional, expansão da rede e futuros investimentos >> Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

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